Senador cita fotografia, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e relatório da Polícia Federal; procurador-geral nega relação de proximidade com ex-banqueiro
O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, levou ao Supremo Tribunal Federal um pedido para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, seja afastado cautelarmente do comando da Procuradoria-Geral da República e também deixe de atuar em procedimentos relacionados às investigações do Banco Master.
O requerimento foi encaminhado neste domingo, 20 de setembro, ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Entre os elementos apresentados pelo parlamentar estão registros encontrados pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Um dos principais pontos levantados por Viana é uma fotografia registrada durante um encontro em Londres, em abril de 2024. Na imagem, Gonet aparece ao lado de Vorcaro durante uma confraternização com charutos e bebidas. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade do registro, mas sustenta que o episódio ocorreu durante um evento com participação de diversas autoridades e convidados.
Segundo o pedido apresentado ao Supremo, a fotografia foi encaminhada ao celular de Vorcaro em junho de 2025 pelo advogado Ciro Soares, que à época mantinha atuação vinculada ao Banco Master.
O senador também menciona conversas extraídas do aparelho do ex-banqueiro que, na interpretação apresentada por Viana, indicariam que Soares funcionava como intermediário em contatos entre Vorcaro e Gonet.
Entre os registros citados está uma mensagem de março de 2025 na qual o advogado aparece em uma fotografia ao lado do procurador-geral e informa a Vorcaro que Gonet desejaria falar com ele. Outras conversas mencionam uma viagem a Londres e fazem referência à possibilidade de participação de um filho do procurador-geral.
O requerimento também se apoia em relatório produzido pela Polícia Federal que descreve Ciro Soares como uma espécie de elo entre o então controlador do Banco Master e o chefe do Ministério Público Federal.
Para Carlos Viana, o conjunto de informações justificaria o afastamento temporário de Gonet enquanto as circunstâncias dos contatos são esclarecidas. O senador argumenta que a condição de procurador-geral poderia gerar questionamentos caso Gonet simultaneamente apareça mencionado nos elementos investigativos e participe institucionalmente de decisões relacionadas ao mesmo caso. Essa é, porém, a tese sustentada pelo parlamentar no pedido encaminhado ao STF, e não uma conclusão judicial sobre a conduta de Gonet.
Gonet nega proximidade com Vorcaro
Paulo Gonet rejeita a existência de relação pessoal ou de proximidade com Daniel Vorcaro.
Em manifestação apresentada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, o procurador-geral afirmou que teve apenas um encontro presencial com o ex-banqueiro, durante um evento realizado em Londres em abril de 2024, e que o contato ocorreu em ambiente com outros participantes.
Gonet também confirmou uma breve ligação telefônica com Vorcaro em março de 2025, intermediada por Ciro Soares, mas declarou que a conversa foi rápida e não tratou de assuntos relacionados às suas funções na Procuradoria-Geral da República.
O procurador-geral também contestou aspectos do relatório policial em que seu nome aparece e classificou como improcedentes as interpretações de que teria mantido vínculo de interesse com o ex-controlador do Banco Master.
Caso também será analisado pelo Conselho Superior do MPF
As referências a Gonet encontradas no material apreendido pela Polícia Federal também passaram a ser examinadas no âmbito do Conselho Superior do Ministério Público Federal.
O colegiado marcou para 25 de setembro de 2026 a análise de procedimento administrativo relacionado às mensagens obtidas durante as investigações da Operação Compliance Zero. Até o momento, a existência dos registros e das mensagens não representa, por si só, conclusão de irregularidade por parte do procurador-geral.
Agora, caberá ao Supremo analisar o pedido apresentado por Carlos Viana e decidir se há fundamento jurídico para alguma medida cautelar contra o procurador-geral da República.