A Câmara Municipal de Macaé no Norte Fluminense do Rio de Janeiro aprovou, nesta semana, mais uma medida voltada ao enfrentamento da violência contra pessoas em situação de vulnerabilidade. Trata-se do Projeto de Lei 290/2025, de autoria da vereadora Leandra Lopes (PT), que estabelece a obrigatoriedade de síndicos de condomínios residenciais e comerciais comunicarem às autoridades competentes casos ou indícios de violência doméstica no município.
A proposta abrange agressões contra mulheres, crianças, adolescentes, idosos e também animais, ampliando o alcance da proteção para diferentes grupos vulneráveis. Pelo texto aprovado, o síndico que tomar conhecimento de situações suspeitas deverá informar os órgãos de segurança pública, contribuindo para a interrupção precoce de possíveis crimes.
A iniciativa reforça a importância da atuação coletiva no combate à violência doméstica, reconhecendo que o enfrentamento a esse tipo de crime não é responsabilidade exclusiva das vítimas ou do poder público. Ao incluir síndicos — que ocupam posição estratégica dentro dos condomínios — como agentes obrigados a comunicar indícios de violência, o projeto amplia a rede de vigilância e proteção social.
Especialistas apontam que muitos casos de violência doméstica permanecem invisíveis por ocorrerem dentro de residências, longe do alcance imediato das autoridades. Nesse contexto, a participação ativa de moradores, vizinhos e gestores condominiais pode ser decisiva para salvar vidas e evitar a escalada da violência, inclusive casos de feminicídio.
Se sancionada pelo Executivo municipal, a nova lei passará a integrar oficialmente o conjunto de instrumentos locais de enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio em Macaé. A expectativa é que a medida contribua para fortalecer a cultura da denúncia e reduzir a subnotificação, um dos principais desafios no combate a esse tipo de crime.
A proposta também dialoga com legislações já existentes em âmbito estadual e federal que incentivam a denúncia de maus-tratos e agressões, consolidando a responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade civil.
A obrigatoriedade imposta aos síndicos, no entanto, também levanta discussões sobre limites de atuação, responsabilidade legal e necessidade de capacitação adequada para identificar indícios de violência. Para defensores da medida, o dever de comunicar suspeitas não substitui o trabalho investigativo das autoridades, mas funciona como um mecanismo preventivo.



