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“De Guardião da Constituição a Guardião da Corrupção: STF e o Fim da Lava Jato”

Redação Fala Geral
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“STF, o Coveiro da Lava Jato: A Suprema Corte Enterra a Maior Operação Anticorrupção da História”

O Supremo Tribunal Federal assumiu, aos olhos de grande parte da opinião pública, o papel de coveiro da Lava Jato. Enterrou procedimentos, desenterrou nulidades, ampliou tecnicalidades e criou um labirinto processual onde a substância dos fatos — bilhões desviados, contratos fraudados, propinas confessadas e esquemas minuciosamente descritos — foi empurrada para a penumbra. O cadáver sepultado não é apenas uma operação: é a expectativa de que a lei pudesse, por alguns anos, alcançar o Olimpo político-empresarial brasileiro.

Enquanto decisões retroagem, sentenças viram pó e provas são desqualificadas por formalismos elevados ao patamar de dogma, os valores desviados não evaporaram. O dinheiro continua circulando — reempregado, ocultado, reciclado — e as estruturas que permitiram o saque permanecem largamente intactas. A mensagem que ecoa nos corredores do poder é devastadora: se você for suficientemente influente, o tempo, a narrativa e a jurisprudência trabalharão para você.

A retórica do “combate aos excessos”: Sim, houve abusos e erros — como em qualquer megaoperação de complexidade inédita. Corrigir excessos é saudável; transformá-los em aríete para demolir todo o edifício investigativo é outra coisa. O discurso da “defesa das garantias” foi sequestrado por atores que tratam garantias como escudo de elite, não como proteção universal. Resultado: a exceção vira regra para cima, enquanto o rigor segue implacável para baixo.

Judicialização da descrença: O “coveiro” não enterra sozinho: há cumplicidade difusa — política, partidária, empresarial e burocrática — que se alimenta da fadiga social. O cidadão comum, exaurido pelo vaivém de decisões, se anestesia. E a anestesia social é o oxigênio da impunidade. Sem pressão vigilante, prevalece a liturgia hermética: votos longos, linguagem cifrada, tecnicismos que esvaziam a indignação moral transformando-a em detalhe procedimental.

A inversão simbólica: Cria-se uma inversão perversa: quem denunciou passa a ser acusado; quem foi acusado possa a ser vítima; e o Estado que falhou em fiscalizar tenta reescrever a narrativa como se tudo não passasse de um delírio persecutório. A pauta desloca-se da materialidade dos crimes para a suposta “pureza” do método. O processo sufoca o conteúdo. E, sem conteúdo, o combate à corrupção degenera em ritual coreografado que absolve pela exaustão.

O efeito pedagógico negativo: Cada anulação emblemática funciona como cartilha subterrânea: protelar, recursar, fragmentar, deslocar competência, alegar suspeição, invocar nulidades processuais em cascata. O incentivo correto — prevenir corrupção — é substituído pelo incentivo torto — sofisticar blindagens. Assim, o “coveiro” fecha o túmulo e distribui, sem dizer, o manual de sobrevivência institucional para futuras gerações de operadores do desvio.


Não foram enterrados:

Documentos, planilhas, e-mails e extratos que reconstruíram fluxos financeiros. A engenharia societária que conectou doleiros, políticos e estatais. O padrão sistêmico de cartelização e superfaturamento.

Esses elementos continuam como memória arquivada — e memória arquivada é munição moral. O desafio é não permitir que sejam reescritos como “mito persecutório” em futuras narrativas revisionistas.

Ao enterrar a operação sem oferecer modelo mais eficaz e transparente de responsabilização, o sistema não entrega justiça — entrega cinismo. E o cinismo corrói a confiança, sem a qual nenhum pacto democrático prospera. O STF, ao aceitar o papel de coveiro, deveria ter assumido também o de arquiteto de uma nova estrutura anticorrupção robusta, imparcial e previsível. Não o fez (ou não o fez ainda). Nesse hiato, floresce o velho Brasil das sombras.

Enquanto não se erguer algo melhor, o túmulo da Lava Jato seguirá exalando a lembrança incômoda de que provas e bilhões desviados não desaparecem com um voto — apenas cambiam de gaveta. E a sociedade paga a conta, com juros de descrença.

Por Marcos Soares
Jornalista – Analista Político                                                                                                                                   instagram.com/@marcossoaresrj    |  instagram.com/@falageraltv

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