O ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes das Dores de Souza, de 41 anos, dormiu novamente atrás das grades. Após passar 60 dias na condição de foragido da Justiça, o ex-atleta foi capturado no fim da noite de quinta-feira (7), em São Pedro da Aldeia, Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A prisão encerra um período de descumprimento das regras de sua liberdade condicional.
A liberdade de Bruno ruiu oficialmente no dia 5 de março, quando a Vara de Execuções Penais expediu um mandado de prisão, pois o goleiro ignorou as obrigações impostas pelo Estado para permanecer fora da cela. Entre as principais faltas graves que levaram o Ministério Público a pedir sua regressão de regime, destacam-se as viagens clandestinas, como a ida ao Acre em fevereiro para atuar pelo Vasco-AC sem qualquer aval judicial, e a presença em estádios, já que ele foi flagrado em jogos no Maracanã e em Minas Gerais, ambientes proibidos para quem cumpre pena nessas condições.
Além disso, o ex-atleta manteve um endereço fantasma ao ficar três anos sem atualizar seu local de residência perante a Justiça e desrespeitou horários de recolhimento noturno obrigatório de forma reiterada.
A abordagem no Porto da Aldeia
A localização de Bruno não foi fruto do acaso. A prisão resultou de uma operação estratégica de inteligência que uniu forças entre o 25º BPM (Cabo Frio) e o serviço de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais.
Os agentes monitoraram os passos do ex-goleiro até o bairro Porto da Aldeia, em São Pedro da Aldeia. Ao contrário da resistência demonstrada em outros momentos de sua trajetória jurídica, Bruno não reagiu. O ex-atleta acatou as ordens e colaborou com a guarnição durante a revista. Em seguida, foi levado inicialmente para o 125º Departamento de Polícia (São Pedro da Aldeia) e, logo depois, transferido para a 127º DP (Búzios) para o registro formal da captura.
Agora, Bruno aguarda a transferência para o sistema prisional, onde deve responder pela quebra de confiança do regime condicional e retomar o cumprimento da pena em regime mais rigoroso.
RELEMBRE O CASO
Bruno carrega uma condenação de 22 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio, ocorridos em 2010. A progressão da pena seguiu o rito previsto na lei brasileira, mas com polêmicas. Desde o regime fechado entre 2010 e 2019, em que cumpriu a maior parte da punição em segurança máxima, até a passagem pelo regime semiaberto entre 2019 e 2023, período em que o Estado manteve a custódia, foram permitidas saídas externas para trabalho. Em 2023, ele obteve a liberdade condicional, benefício que permite o cumprimento do restante da pena em liberdade total, desde que o condenado mantenha comportamento exemplar e siga regras estritas as quais Bruno violou.
O caso Eliza Samudio permanece como um dos crimes mais chocantes do Brasil, motivado pela recusa do jogador em reconhecer a paternidade do filho, Bruninho, que hoje atua como goleiro na base do Botafogo.
Wallef Padilha, repórter estagiário sob supervisão do repórter João Lamêgo
Foto: Renata Caldeira/TJ-MG / Divulgação