
Mais de duas décadas depois de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumir a Presidência pela primeira vez, o acesso regular à água permanece um desafio no Nordeste. A persistência da vulnerabilidade hídrica coloca sob cobrança os resultados das políticas defendidas em seus mandatos.
Em agosto de 2026, a seca atingia 90% do território nordestino, o maior percentual entre as regiões brasileiras, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A seca grave alcançava 16% da região, mostrando a dimensão do desafio ainda enfrentado pelo poder público.
Uma das principais vitrines de infraestrutura dos governos petistas, a transposição do Rio São Francisco começou a ser executada em 2007, no segundo mandato de Lula, e avançou em administrações posteriores. Concebida para ampliar a oferta de água em Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
A chegada da água aos canais e reservatórios precisa ser acompanhada de adutoras, tratamento, distribuição e manutenção. Sem essa integração, inaugurações e anúncios de investimentos não bastam para assegurar abastecimento nas torneiras.
Açudes em situação crítica
O levantamento da ANA registrou, em 27 de agosto, 71 dos 358 açudes monitorados no Nordeste e no semiárido com menos de 20% da capacidade. Entre eles, 47 armazenavam menos de 10%. Em Pernambuco, o açude Jucazinho tinha apenas 3,9% do volume total.
O mesmo boletim apontou armazenamento agregado de 49,7%, superior aos 47,4% observados na mesma data de 2025. A melhora regional, porém, coexistia com reservatórios em condições críticas, evidenciando que os benefícios não se distribuem de maneira uniforme.
A responsabilidade política está em reduzir seus impactos e preparar os sistemas de abastecimento para períodos de escassez. É nesse resultado que Lula deve ser cobrado, pela capacidade de transformar investimentos em segurança hídrica duradoura.
Depois de tantos anos de protagonismo político e de promessas para o Nordeste, o governo precisa demonstrar que as obras anunciadas se traduzem em atendimento efetivo. Para quem enfrenta a falta de água, o principal indicador de sucesso continua sendo a regularidade do abastecimento.



