A Polícia Civil do Tocantins cumpriu mandados de busca e apreensão, na quinta-feira (10), em endereços ligados à empresa Medic 360 Serviços Médicos, no âmbito de uma investigação sobre contratos firmados para a prestação de serviços na rede pública de saúde de Palmas.
A ação foi conduzida pela Divisão de Repressão à Corrupção e integra a segunda fase da operação Falsa Emergência, que apura possíveis irregularidades na gestão de recursos destinados a duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital tocantinense.
Entre os alvos está a empresária Maria Luiza de Barba, apontada como sócia da Medic 360. Segundo documentos apresentados pela Polícia Civil à Justiça, a empresa teria mantido relações comerciais com uma agência de veículos investigada pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de atuar como intermediária de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa conexão já havia sido noticiada anteriormente pelo portal Metrópoles.
A investigação também analisa a estrutura adotada para a administração das unidades de saúde. A Prefeitura de Palmas contratou a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, de São Paulo, para assumir a gestão de duas UPAs. Posteriormente, parte da execução dos serviços teria sido repassada à Medic 360.
De acordo com decisão do juiz Milton Lamenha, da 1ª Vara de Garantias de Palmas, Maria Luiza aparece tanto como procuradora da organização social responsável pela gestão quanto como integrante da empresa contratada para executar parte dos serviços. Esse vínculo está entre os pontos analisados pelos investigadores.
Documentos encaminhados ao Judiciário indicam ainda que a Prefeitura de Palmas teria repassado aproximadamente R$ 11,5 milhões somente em abril, enquanto a Polícia Civil afirma não ter recebido, até então, a prestação de contas solicitada sobre a aplicação dos recursos.
Com autorização judicial, os agentes realizaram buscas na residência da empresária, no Rio de Janeiro; na sede da Medic 360, localizada em Pinheiros, na capital paulista; em instalações da Santa Casa em Palmas; e em um endereço em Itatiba relacionado ao provedor da instituição, Emerson Neto.
O objetivo das diligências é recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a movimentação financeira, a execução dos contratos e a eventual existência de irregularidades na terceirização dos serviços.
A investigação permanece em andamento. As pessoas e empresas citadas são tratadas como investigadas ou relacionadas às apurações, e eventuais responsabilidades dependerão da análise das provas e das conclusões das autoridades competentes.