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Ações do STF

Gonet vendeu participação de 43% no IDP por R$ 12 milhões ao filho de Gilmar Mendes

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Negociação realizada em 2017 envolveu participação societária de Paulo Gonet no instituto fundado ao lado do ministro do STF

A relação empresarial mantida no passado entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a família do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a ganhar atenção no debate público. Em 2017, Gonet vendeu sua participação no então Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) ao advogado Francisco Schertel Mendes, filho de Gilmar Mendes, por aproximadamente R$ 12 milhões.

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Negociação realizada em 2017 envolveu participação societária de Paulo Gonet no instituto fundado ao lado do ministro do STFRelação acadêmica de longa dataNegócio desperta atenção pela posição atual dos envolvidos

Documentação societária relacionada à operação registra que Gonet possuía 43,44% do capital social da instituição, correspondentes a 262 quotas. A participação foi adquirida por Francisco pelo valor de R$ 12.004.926,16. O documento também registra que Gilmar Mendes abriu mão do direito de preferência na aquisição das quotas.

O negócio, portanto, ocorreu seis anos antes da indicação de Gonet à Procuradoria-Geral da República, em 2023, e não naquele ano, como algumas publicações recentes podem dar a entender.

Relação acadêmica de longa data

Gonet e Gilmar Mendes possuem uma relação acadêmica que remonta à criação do IDP, no fim dos anos 1990. Registros institucionais identificam ambos entre os fundadores da instituição, que se consolidou no ensino e na pesquisa jurídica em Brasília.

Mesmo após deixar formalmente a sociedade, Gonet manteve vínculos acadêmicos com o instituto. Durante sua sabatina no Senado para assumir a PGR, em 2023, ele próprio destacou sua parceria intelectual com Gilmar Mendes, com quem é coautor de obra de Direito Constitucional.

A operação de 2017 também já havia sido objeto de reportagens anos antes da chegada de Gonet ao comando da PGR. A Folha de S.Paulo, por exemplo, registrou em 2023 que Francisco Mendes havia comprado a participação de aproximadamente 43% pertencente a Gonet por R$ 12 milhões.

Negócio desperta atenção pela posição atual dos envolvidos

A transação empresarial passou a despertar interesse renovado principalmente pelas posições ocupadas atualmente pelos personagens envolvidos: Gonet no comando da Procuradoria-Geral da República e Gilmar Mendes como ministro do Supremo Tribunal Federal.

A existência de uma relação empresarial anterior entre integrantes de instituições centrais do sistema de Justiça pode alimentar discussões públicas sobre transparência, independência institucional e potenciais conflitos de interesses. Esses questionamentos, no entanto, precisam ser separados da existência de irregularidade jurídica concreta.

Os documentos consultados confirmam a realização da compra e venda, os participantes e o valor envolvido, mas esses elementos, isoladamente, não demonstram ilegalidade na operação.

O aspecto objetivo é que Paulo Gonet foi sócio do IDP ao lado de Gilmar Mendes e transferiu, em 2017, sua participação de 43,44% para Francisco Schertel Mendes, filho do ministro, em uma negociação superior a R$ 12 milhões — um vínculo empresarial histórico que continua sendo citado sempre que se discute a proximidade entre figuras de destaque da cúpula do sistema de Justiça brasileiro.

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