Empresário registra candidatura à Presidência e informa fortuna bilionária à Justiça Eleitoral; patrimônio declarado é quase 44 vezes maior que o apresentado por ele em 2024
Uma atualização nos registros de candidaturas à Presidência da República alterou radicalmente o ranking dos patrimônios declarados pelos concorrentes ao Palácio do Planalto.
Pablo Marçal (PRTB) registrou sua candidatura à Presidência e informou à Justiça Eleitoral possuir aproximadamente R$ 7,4 bilhões em bens e investimentos, tornando-se, com ampla diferença, o candidato com o maior patrimônio declarado na corrida presidencial de 2026.
O valor chama atenção não apenas pela dimensão, mas também pelo crescimento em relação à eleição municipal de 2024. Naquele ano, quando concorreu à Prefeitura de São Paulo, Marçal havia declarado aproximadamente R$ 169,5 milhões.
Isso significa que, em aproximadamente dois anos, o patrimônio informado pelo empresário à Justiça Eleitoral passou da casa dos milhões para a dos bilhões.
R$ 6,79 bilhões estão em renda fixa
A maior parte do patrimônio declarado por Marçal está concentrada em aplicações financeiras.
Segundo os dados informados no registro eleitoral, aproximadamente R$ 6,79 bilhões aparecem em aplicações de renda fixa.
Entre os bens de maior valor também está um terreno em Santana de Parnaíba, na Região Metropolitana de São Paulo, avaliado em R$ 490 milhões.
A declaração inclui ainda participações societárias e outros investimentos.
Entre os principais valores informados estão:
- Aplicações de renda fixa: aproximadamente R$ 6,79 bilhões;
- Terreno em Santana de Parnaíba (SP): R$ 490 milhões;
- 80% da Aviation Participações Ltda.: R$ 80 milhões;
- 50% da Marçal Holding Ltda.: aproximadamente R$ 19,8 milhões;
- Participação societária de 75%: aproximadamente R$ 9,2 milhões;
- 90% da Marçal Participações Ltda.: aproximadamente R$ 2,5 milhões;
- além de fundos de investimentos, aplicações bancárias e outros ativos financeiros.
Marçal dispara na liderança do ranking
Com a inclusão de Pablo Marçal, o ranking patrimonial dos candidatos à Presidência sofre uma mudança expressiva.
1º — Pablo Marçal (PRTB): aproximadamente R$ 7,4 bilhões
2º — Augusto Cury (Avante): R$ 242,28 milhões
3º — Romeu Zema (Novo): R$ 178,70 milhões
4º — Ronaldo Caiado (PSD): R$ 52,55 milhões
5º — Wilson Grassi Júnior (Democrata): R$ 50 milhões
6º — Flávio Bolsonaro (PL): R$ 8,18 milhões
7º — Luiz Inácio Lula da Silva (PT): R$ 4,77 milhões
8º — Clariana Barão (DC): R$ 1,82 milhão
9º — Renan Santos (Missão): R$ 795 mil
10º — Edmilson Costa (PCB): R$ 454,4 mil
11º — Samara Martins (UP): R$ 33 mil
12º — Hertz Dias (PSTU): nenhum bem declarado
13º — Rui Costa Pimenta (PCO): nenhum bem declarado
A diferença é gigantesca. Somente o patrimônio declarado por Pablo Marçal é dezenas de vezes superior ao de Augusto Cury, que ocupava anteriormente a primeira posição.
Patrimônio saltou de R$ 169 milhões para R$ 7,4 bilhões
Outro ponto que deverá despertar atenção durante a campanha eleitoral é a evolução patrimonial declarada pelo candidato.
Em 2024, quando concorreu à Prefeitura de São Paulo, Marçal informou aproximadamente R$ 169,5 milhões em bens.
Agora, em 2026, o valor declarado chega a aproximadamente R$ 7,4 bilhões.
A diferença é superior a R$ 7,2 bilhões, fazendo com que o patrimônio declarado atualmente seja quase 44 vezes aquele informado dois anos antes.
Essa diferença, por si só, não representa irregularidade. Declarações eleitorais podem sofrer grandes alterações por diversos motivos, como valorização ou inclusão de ativos, reorganizações societárias, investimentos, aquisições e mudanças nos critérios ou valores informados. A origem e a composição de cada item devem ser analisadas a partir das informações oficiais e demais documentos disponíveis.
Registro ainda será analisado pela Justiça Eleitoral
Apesar de ter apresentado o pedido de registro de candidatura, a situação eleitoral de Pablo Marçal possui uma particularidade jurídica.
O empresário conseguiu uma decisão liminar que reconheceu provisoriamente sua filiação ao PRTB, permitindo o protocolo de sua candidatura à Presidência.
Marçal, entretanto, possui decisões da Justiça Eleitoral que determinaram sua inelegibilidade até 2032, relacionadas à campanha municipal de 2024. Por isso, o simples protocolo do pedido de candidatura não significa que sua participação definitiva na eleição já esteja confirmada.
O pedido de registro ainda deverá passar pela análise da Justiça Eleitoral.
Dessa forma, jornalisticamente, o mais preciso neste momento é tratá-lo como candidato com pedido de registro apresentado ao TSE, destacando que sua situação jurídica ainda depende de decisão da Justiça Eleitoral.
Fortuna bilionária muda completamente o retrato patrimonial da eleição
A entrada de Marçal no levantamento cria uma diferença patrimonial inédita entre os nomes atualmente registrados na disputa.
Enquanto Pablo Marçal declara aproximadamente R$ 7,4 bilhões, Lula informa R$ 4,77 milhões e Flávio Bolsonaro R$ 8,18 milhões. Mesmo candidatos com patrimônio elevado, como Augusto Cury e Romeu Zema, ficam muito abaixo do valor informado pelo empresário.
As declarações patrimoniais são fornecidas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e disponibilizadas para consulta pública. Os números devem, portanto, ser apresentados como “patrimônio declarado”, e não necessariamente como estimativa independente da fortuna ou valor líquido de mercado de cada candidato.
Com a atualização dos registros, Pablo Marçal passa a ocupar, com larga vantagem, o primeiro lugar no ranking de patrimônio declarado entre os nomes que apresentaram candidatura à Presidência da República em 2026.
